quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

NOVO HOMEM


   Dedico esta verdade a um amigo, Friedrich Nietzsche.



É preciso ter pulmões fortes
pois, só quem respira o ar dessas palavras
serás capaz de conhecer a verdade.

E ao conheceres essa verdade
serás semelhante a um poço 
onde toda vasilha arremessada
não sobe senão transbordando.

Eis, aqui, nosso lema: Nitimur in Vetitum*.

Tudo o que seja verdade
foi - até agora - proibido.

Ouça-me! Não estou a pregar.
Não sou fanático, não exijo fé.
Não sou sedutor, pois nem todos me compreendem.
Não sou sábio...
Não sou santo...
Não sou Redentor...

Logo, não os convido aonde vou
aliás, se assim o fizesse não seria
um mestre a se indicar.

Oh, novos homens! Ides solitários 
pelas veredas da vastidão.
E quanto mais distantes de mim
menos chances terás de seres enganados.

Que mérito há em um mestre 
que mantém seus discípulos 
ad eternum** nesta condição.

Desafiem minha condição de mestre
de ídolo, de Salvador...
martelem meus pés de barro,
arranquem folhas de louro da minha coroa.
Procures a vós,
pois se não o fizeres
encontrarão sempre a mim.
E este é o princípio da fé,
a saber, afastá-los da verdade,
afastá-los da sua essência.

Agora, vos ordeno!
Entrem na floresta,
soltem a borda do meu manto,
se percam de mim
e encontrem a vós mesmos.

E, somente, quando se perderem de mim,
quando me esquecerem,
quando me renegarem,
eis que retornarei em meio a vós.



* Lançamo-nos ao proibido.
** Por toda eternidade.


[José Ailton Santos]   

Um comentário:

  1. Eis que estarei em meio a vós. Acredito que está mesa a maior verdade. O amor deve ser alimento para todis os seres humanos , mesmo para os que não o percebem

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