Quanto vale?
Diz-me, quanto vale?
Diz-me, quanto vale?
Afinal, tudo tem um preço,
ainda que seja a ajustar.
É no preço
ou por Quilograma?
o sexo banal,
a moral de areia,
a Ética disfarçada
e a persona non grata
No balcão da esquina
de tudo se vende.
O amor quanto vale?
Já diziam os poetas românticos:
- Não tem preço!
Pena que todos estejam mortos
e que a mercadoria
não valha o mesmo que outrora.
E o ser humano?
Quanto vale?
- Inteiro ou fragmentado?
Pois cada parte tem um valor.
E o corpo, isso mesmo?!
O corpo, quanto vale?
- Vale menos que o tecido.
Cetim
Chitão
Gaufrê
Challis
Cambraia
...
Seda, lã, veludo, linho, pele, algodão...
E eu, quanto valho?
Diz-me sem arrodeio.
- Isso meu nobre amigo
depende da nascença.
[José Ailton Santos]
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Depende da nascença isso é lá uma grande verdade, minha mãe sempre diz: Tanto tenhas tudo vale, nada tenhas Nada Vale.
ResponderExcluirValeu Ricardo pela participação sempre enriquecedora. Eis aí um axioma.
ExcluirDepende dos valores que adquirimos ao longo da vida. Não materiais, falo de valores espirituais, os quais formam nosso caráter.
ResponderExcluirÓtimo texto Ailton, parabéns pelo sábio uso das palavras.
Surpreendentemente, hoje pela manhã, estava a pensar sobre o valor das coisas, pessoas, serviços.
ResponderExcluirE acredito que infelizmente, a falta de moral, ridiculariza ainda mais esse conceito de preço.
Trabalhar por exemplo, para oferecer o melhor a um filho é uma necessidade, mas banalizar a moral em troca de migalhas, muitas vezes é simplesmente NÃO querer uma opção.
Acredito que muitas vezes, falta o querer, correr atrás de uma vida digna e repleta de responsabilidades.
Ótimo texto.