terça-feira, 16 de abril de 2013

O PREÇO


Quanto vale?
Diz-me, quanto vale?
Afinal, tudo tem um preço,
ainda que seja a ajustar.

É no preço
ou por Quilograma?

o sexo banal,
a moral de areia,
a Ética disfarçada 
e a persona non grata

No balcão da esquina
de tudo se vende.

O amor quanto vale?
Já diziam os poetas românticos:
- Não tem preço!
Pena que todos estejam mortos
e que a mercadoria 
não valha o mesmo que outrora.


E o ser humano?
Quanto vale?

- Inteiro ou fragmentado?
Pois cada parte tem um valor.

E o corpo, isso mesmo?!
O corpo, quanto vale?
- Vale menos que o tecido.

Cetim
Chitão
Gaufrê
Challis
Cambraia
...
Seda, lã, veludo, linho, pele, algodão...


E eu, quanto valho?
Diz-me sem arrodeio.
- Isso meu nobre amigo
depende da nascença.




[José Ailton Santos]






4 comentários:

  1. Depende da nascença isso é lá uma grande verdade, minha mãe sempre diz: Tanto tenhas tudo vale, nada tenhas Nada Vale.

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    1. Valeu Ricardo pela participação sempre enriquecedora. Eis aí um axioma.

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  2. Depende dos valores que adquirimos ao longo da vida. Não materiais, falo de valores espirituais, os quais formam nosso caráter.
    Ótimo texto Ailton, parabéns pelo sábio uso das palavras.

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  3. Surpreendentemente, hoje pela manhã, estava a pensar sobre o valor das coisas, pessoas, serviços.
    E acredito que infelizmente, a falta de moral, ridiculariza ainda mais esse conceito de preço.
    Trabalhar por exemplo, para oferecer o melhor a um filho é uma necessidade, mas banalizar a moral em troca de migalhas, muitas vezes é simplesmente NÃO querer uma opção.
    Acredito que muitas vezes, falta o querer, correr atrás de uma vida digna e repleta de responsabilidades.
    Ótimo texto.

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