Penso que sou um espelho
onde possibilito a todos
[todos os sentenciadores
que me olham
a uma distância segura]
enxergarem
não a mim
mas, a vós mesmos
Juízes de si
Quando pretenderem
revelar-Me
não conceitue
não tente explicar
não interprete
nem desvende
tão pouco defina
...
apenas sinta.
Agora
se queres mesmo saber
quem sou
sou uma metamorfose
sou o começo e o fim
dentro do meio
sou o vestido
que se põe nu
sou a taça que se põe:
cheia
completa
transbordante...
e se faz vazia
sou a ausência
que se faz presença
inteiro
e vulnerável.
Bem
agora que me conhece
- Muito prazer!
Sou um enigma.
[José Ailton Santos]

Parabéns, muito bom texto enigmático, rsrsrsrs
ResponderExcluirCada um de nós é um enigma a ser descoberto. O seu poema reflete com doçura a forma dual com que nos deparamos com luz e sombra no refúgio mascarado pelo JUIZ e SENHOR. Ao ler seu poema me vi nele, e dele compreendi o quanto emparedamos o nosso sentir, em nome de uma pseudo razão, mas a razão não nasce da emoção? e lembrei das leituras que fiz recentemente do livro: Uma Viagem através dos Mitos de Liz Greene & Juliet Sharman-Burke" que deixo aqui para contribuir com os nossos enigmas "A história de Fausto nos ensina que a bondade depende das definições de moral adotadas por qualquer sociedade em qualquer época da história. Já o amor e o remorso não se restringem às doutrinas de nenhuma cultura ou religião específicas. Eles nos permitem experimentar a luz e a escuridão e, de algum modo, preservar a integridade da alma. É possível que qualquer busca espiritual sincera nos conduza a nosso próprio potencial de trevas e destruição, e que somente ao enfrentarmos essas coisas, e talvez até sentirmos por algum tempo que somos irredimíveis – nosso próprio “pacto com o diabo”-, podemos experimentar o que se poderia chamar de graça. A graça, embora seja um termo cristão, é algo que não se restringe ao cristianismo, é uma misteriosa libertação interna, que provém de dentro de nós e dá sentido não apenas a nossa bondade, mas também a nossa maldade."
ResponderExcluirSou-lhe sempre grato por sua colaboração [amiga Marilene]se não aos leitores do blog, a mim. Cada dia me convenço que este blog é minha terapia d'ideias. Criei este espaço para salvaguardar meus escritos e eis que de repente ele explode e espalha seu líquido multicor por uma extensão jamais imaginada. Suas observações a cerca da volubilidade de alguns conceitos e da imutabilidade doutros me faz despertar para reflexões alhures. O poeta é um homem enigmático, quando as pessoas pensam que o desvendam, despertam de si, o importante neste processo não é desnudar o poeta, mas se ver nu diante dum espelho interior, sobre a perspectiva dual eu chamaria de plural... o poeta tens a chave do Universo, não o da Via Láctea, mas o universo particular...
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