Imagem resultado de inteligência artificial, e, em associação com o texto, serve como alegoria para representar ideias abstratas.
STANCZYK: - Amigos, o bar vai fechar.
TRIBOULET: - Sabe por que os banguelas
vão direto para o céu?
WILL SOMMERS: - Não, por quê?
TRIBOULET: - Simples, porque o inferno
é lugar de choro e ranger de dentes.
STANCZYK: - Amigos, o bar vai fechar.
WILL SOMMERS: - Ah, tá bom.
E você sabe por que os mudos
não tem o benefício da dúvida
em nenhum tribunal
terreno ou celeste?
TRIBOULET: - Não, por quê?
WILL SOMMERS: - Simples, por que quem cala consente.
STANCZYK: - Amigos, o bar vai fechar.
TRIBOULET: - Certo, entendi.
E você sabe por que os lisos
são os caras mais corajosos do mundo?
WILL SOMMERS: - Não, por quê?
TRIBOULET: Simples, porque quem nada tem nada teme.
STANCZYK: - Amigos, o bar vai fechar.
WILL SOMMERS: - Ah, bom.
E você sabe por que os cornos e as cobras
tem algo em comum?
TRIBOULET: - Não, por quê?
WILL SOMMERS: - Simples,
chifre em homem e pé de
cobra
ninguém nunca viu.
STANCZYK: - Amigos, o bar vai fechar.
TRIBOULET: - Hum, sei.
E você sabe por que as loiras
quando veem uma égua e um jegue
toma a bênção?
WILL SOMMERS: - Não, por quê?
TRIBOULET: - É simples, porque eles são seus
pais.
STANCZYK: - Amigos, o bar vai fechar.
WILL SOMMERS: - Poxa, é mesmo?
TRIBOULET: - Traga a saideira!
STANCZYK: - Desculpem, amigos
mas não vou servir a saideira
preciso mesmo fechar o bar.
TRIBOULET e WILL SOMMERS:
- Já, por quê?
STANCZYK : - Porque estou com receio de vocês perguntarem por que os ladrões e corruptos se intimidam diante dos Reis**?
TRIBOULET e WILL SOMMERS:
- Tá aí, não sabemos, por quê?
STANCZYK: - Simples, pela mesma razão que os leõezinhos se aquietam diante do Rei da selva.
São todos da mesma espécie, mas existe uma hierarquia de poder.
TRIBOULET e WILL SOMMERS:
- Putz! Veja a conta rápido!
STANCZYK: - Por que a urgência?
Por que estão levantando?
Por que, agora, estão querendo ir tão rápido?
TRIBOULET e WILL SOMMERS:
- Simples, porque a gente bebe
e você que perde a noção.
** O Rei no poema é uma referência a todos aqueles em nosso país que estão ou se colocam acima da lei e da justiça.

Muito Bom, Parabéns
ResponderExcluirTeste
ResponderExcluirAchei muito interessante a forma como foi desenvolvido. Juntar três bobos da corte poderia parecer algo simples, mas o resultado ficou inteligente e cheio de significado, trazendo a ideia do sábio disfarçado de tolo, que usa o humor para dizer verdades difíceis de ouvir.
ResponderExcluirO texto conduz-nos de forma leve até o final, criando a impressão de que a intenção era apenas fechar o bar, quando, na verdade, busca-se evitar a pergunta principal. Quando a resposta surge, ela provoca um certo incômodo, especialmente em quem prefere não encarar a realidade. A lucidez, nesse caso, incomoda, e quem entende acaba perdendo um pouco da paz.
Também foi interessante a reflexão de que "reis" e corruptos não são exatamente opostos, mas fazem parte do mesmo sistema, ocupando posições diferentes.
Sobre o diálogo em que são mencionadas as loiras, entendo que, por se tratarem de bobos da corte, existe essa liberdade de usar o humor para dizer o que quiserem, muitas vezes sem filtro. Ainda assim, é um tipo de humor baseado em um estereótipo pejorativo, algo que me chamou a atenção ao longo da narrativa.
Esse texto foi realmente fantástico.
Parabéns!