quarta-feira, 1 de maio de 2019

PRIMEIRO DE MAIO, FAXINA DOMÉSTICA E A MORAL DA HISTÓRIA



Aparentemente hoje é um dia comum, tal qual os outros, diferente dos demais apenas por ser um dia representativo [dia do trabalhador] e por significar uma pausa na minha vida dinâmica. Acordei cedo, como não tinha que ir trabalhar, afrouxei o rigor da rotina cotidiana cronometral e resolvi fazer uma faxina na casa, ou seja, pôr algumas coisas no lugar, arrumar aqui, retirar poeira dali, higienizar o ambiente jogando no lixo coisas que achava que podia precisar, porém nunca busquei para nada. 

Em meio a preguiça típica da data [feriado], quis esmorecer na tarefa, talvez, porque soava melhor assistir um filme, ouvir música e beber umas cervejas, sair sem destino. Um pensamento reptiliano [herança dos ancestrais que poupavam energia por não saber quando iam comer novamente] invadia minha mente na intenção clara de deixar tudo como estar. Aproveitei a oportunidade e fiz da atividade de faxina doméstica um momento de aprendizagem e desenvolvimento pessoal. Moral, se você não for valente e tiver um propósito forte, não vai conseguir concluir o que planejou, pois o convite ao fazer nada é poderoso. 

O que uma simples faxina tem a ver com nosso desenvolvimento pessoal? Acreditem, tem mais do que aparentemente parece. Acompanhem o desenrolar da narrativa e perceba você mesmo. Parei e pensei: - se ficar imaginando como vou limpar toda a casa, o trabalho que vai dar, não vou concluir essa atividade nunca. Mas, ao invés de pensar no todo, foquei nas partes; limpei a garagem, depois o quarto e o banheiro, depois outro e outro e outro, e, por fim, a casa estava limpa e o ambiente leve. Moral, se deseja algo grandioso, comece pequeno, pois até Deus construiu o mundo por partes.

Enquanto limpava a casa, notei que havia uma teia de aranha em um dos cômodos, que havia isolado para evitar mais desordem no ambiente. Fiquei observando a engenhosidade, a textura, localização, dimensão da rede, como os fios foram tecidos com cautela e precisão... e notei que a aranha estava escondida à espreita, então, me peguei pensando: - e se não cair nada nessa rede como ela vai sobreviver? Peguei um inseto e joguei na teia, contudo não fiquei para observar o que aconteceria. Após concluir a limpeza de outros cômodos da casa fui até a teia para verificar o resultado. A aranha estava no mesmo lugar, porém a presa estava enrolada em uma espécie de colcha de linha semelhante a da teia. Moral, às vezes, precisamos agir mesmo sem ter a certeza do resultado, pois se não tecermos nossa teia não haverá alimento. 

Intrigado, peguei um inseto mais pesado e forte e joguei na teia, após ele rasgar a teia algumas vezes, devido o peso, coloquei ele com mais cuidado de modo que ficasse preso a teia. Observei que após o inseto se mover para se desprender da teia, a aranha rapidamente veio até ele e iniciou uma luta ferrenha para enrolá-lo, mas a presa resistia e tentava desfazer as amarras, fiquei ali por alguns minutos até que a aranha desistiu [o que imaginei] e voltou para o lugar onde estava a descansar. Voltei para meu ofício e minutos depois retornei para verificar o que houve, o que vi, o inseto forte havia sido todo enrolado pela aranha. Moral, se a tarefa parece árdua, faça uma parte, descanse e retome o trabalho, até que seja concluído.

Ao final da faxina doméstica, casa limpa, coisas no lugar, aranha e presas foram parar no lixo. Qual a moral, se você não cuidar da vida do mesmo modo que cuida da casa, a sujeira vai se acumulando, outros seres vão ocupando o espaço que deveria ser apenas seu e, por fim, tenha como certo que, uma vez a casa limpa, deve continuar a limpá-la, pois, no instante em que abaixar a espada a batalha será perdida.












José Ailton Santos - Licenciado em História pela Universidade Federal de Sergipe, Pós Graduado pela Faculdade Pio X em História do Brasil, Graduando do curso de Administração de Empresas pela UNIT, ex-professor efetivo da rede estadual de ensino do estado de Sergipe, funcionário efetivo do Banco do Estado de Sergipe com certificação pela ANBIMA, blogueiro, poeta de ocasião e portador da SPNDLR [Síndrome Patológica de Necessidade Diária de Leitura e Reflexão].

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