Quando estamos no mundo
vivemos em qualquer lugar.
Mas, apesar da imensidão
há sempre um cantinho
um pedacinho de terra
onde o Sol nasce
com uma luz especial.
As manhãs tem cheiro e sabor
o clima é agradável
e as pessoas são velhas conhecidas.
Nesse lugar nosso sono
não é perturbado
pois, a cama:
tal velha criada
acolhe com dengo o corpo.
E a casa, que parece igual
a todas as outras
não é grande nem pequena
é vibrante.
Entre tantos lares que habitei
apenas nesse me sinto
em colo materno.
Esse lugar com ar de Paraíso
não é o Éden
não é Pasárgada.
Mas, tem palmeira [no antigo SESP]
só não canta lá o sabiá.
Todavia, encontramos outras delícias:
Lá tem Lagoa Nova
onde não há lagoa
lá tem Carcaozinho
onde não há carvão
lá tem uma Rua da Ponte
onde não há mais ponte
[se é que houve um dia]
Existe sim:
a barroca
o Açude
o Oiteirinho
e a famosa Draga
onde se jogava futebol no lodo
deu lugar ao Progresso
e a famosa Draga
onde se jogava futebol no lodo
deu lugar ao Progresso
a Rua da Igreja
que abriga ainda a Igreja
Matriz de São João Batista
santo Patrono do lugar.
Existe ainda
a Lagoa Salomé
e a saudosa Vila que carrega seu nome.
Ah! A Vila Salomé!
aos fundos o campo de pelada
[desaparecido]
a matança de porcos de Laércio
[ou o que sobrou, ruínas]
a ladeira do mudo
[só que o mudo morreu]
e a casinha de barro e taipa do Zé
[as lembranças na verdade].
Há também, a praça Jonas Trindade
e a praça da prefeitura
com seu coreto
que nunca abrigou nenhum coro.
O Cruzeiro Redondo
a Boa Vista
de onde se avista
as Sete Casas
[hoje o número é outro...]
o Alto do Cemitério
- abrigo dos mortos -
- abrigo dos mortos -
a Baixa da Égua
que se nomeia Gouveia Lima
[não sei de quem se trata]
a Baixa Fria
e o futebol dos domingos
deu lugar à feira livre.
esse lugar onde os anjos
não são tortos
nem vivem nas sombras
é minha terra natal.
(José Ailton Santos)

...Eita irmão da poxa!!!Nessa vc arrasou viu,emocionou a maninha!!!Cada dia mais fã desse José ailton santos!!!!
ResponderExcluirAdriana
Agradeço as palavras de aprovação. Carinho nunca é demais.
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ResponderExcluirNão só a vc Adriana, mais a mim tb
ResponderExcluirmim fez passar um filme, das lembraças,dos momentos de minha infância à qual vivi com o autor do texto, foram muitos momentos e muitas coisas q vivi q não voltam mais,
só nos resta a saudade e pedir a Deus q dê a nossos filhos e familiares uma infância, tão alegre, divertida e sem maldade como a nossas.
Ângelo agradeço pelas palavras e pelo toque de nostalgia. Saudade é bicho valente, se a gente desanima ela os vence. Um forte abraço.
ResponderExcluirBoa a parte com nomenclaturas de lugares que lembram coisas que não mais existem...
ResponderExcluirCoisas que já tinha esquecido e outras que nem sabia de onde vieram. Muito bom!
ResponderExcluirJá ouvi coisas boas e ruins ao revelar minha origem de Cedro. A que me chamou a atenção, talvez por ter sido ouvida mais de uma vez, foi, aproximadamente, esta declaração: "não sei por que vocês de Cedro voltam tanto à Cidade, não vejo isso com os outros[interioranos] que vêm morar aqui[Aju]..." Serão mesmo nossas raízes mais firmes?
Abraço!
[Rômulo]
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ExcluirAgradeço os elogios sinceros de Magson e Rõmulo.
ExcluirE sigo falando com este último, também já ouvir comentários diversos ao revelar-me de Cedro, inclusive, costumava, e ainda costumo, brincar com os amigos mais chegados. Quando vejo alguém ignorante, depravado, bêbedo, inteligente, elegante, sensual, o tipo gostosa ou fora do padrão, cuido rapidamente de apontar e dizer: "olha lá, deve ser de Cedro!". Risos surgem prontamente e segue a fala do amigo: "tenho que conhecer este lugar antes de morrer, porque nunca vi alguém falar tanto [bem e mal] de um lugar assim". Particularmente, sinto uma atmosfera bem particular nas pessoas nascidas em Cedro, um sentimento e um comportamento especifico, bem diferente dos lugares por onde andei. As pessoas de Cedro tem uma capacidade intelectual elogiada por diferentes pessoas e em diferentes lugares, mesmo diante das carências locais, estes se sobrepõe; um sentimento - no aspecto intelectual - de competitividade salutar [salvo, em casos que fogem à regra] entre as pessoas, dentre outros. Quanto a sua pergunta final, se "Serão mesmo nossas raízes mais firmes?" Responderia com o mesmo sentimento que levou Manoel Bomfim, em sua obra América Latina: males de origem, elaborada em uma temporada de estudos na Europa, a escrever como dedicatória a seguinte frase:
"A Sergipe,
Ao pedaço de terra americana em que nasci".
Por conseguinte, opinião pessoal, não seria o caso de serem mais ou menos firmes, e sim, que elas existem e são a base que sustenta a copa da árvore que somos nós.
Um forte abraço, xeru e inté.
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ResponderExcluirCamarada,quando de fato esta coletânea estará em minha estante? Antecipar a publicação seriá nos abrilhantar com eloquentes narrativas recheadas com versos da melhor qualidade.Parar com estas doses homeopáticas seriá combater a ansiedade que a espera por uma nova publicação nos provoca.Espero o convite para a noite de autográfos.
ResponderExcluir[Risos] Agradeço pelas palavras. A coletânea está quase pronta. Agora, sobre a publicação, só falta o patrocínio. Quanto ao convite, sinta convidado de agora... Valeu.
ExcluirErrata = sinta-se convidado
ExcluirParabéns por mais um poema lindo!Essa foi uma imensa viagem pela nossa querida amada terra!Que Deus continue lhe dando sabedoria.
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