Para dominar era preciso:
bravura
valentia
punhais e espadas.
Erro bobo de um estágio natural.
Se nós o possuímos
que nos importa
o que acontece aos outros?
Ideia de posse e único desejo:
rude
silvestre
indomesticável.
Ele nos assiste a todos
de modo perpétuo
possuídos e possuidores.
Todos, repetindo os mesmos padrões:
Crueldade
Egoísmo
Orgulho
Sexualidade violenta
Ele é assim,
quanto mais queremos possuir
mais fortemente somos possuídos.
Quanto menos livres somos
mais atados e acorrentados seremos.
E da ausência de discernimento:
Agonia
Angústia
Amargura
Mágoa
Padecimento
Ressentimentos
Tortura...
Quanto mais anelamos reter
mais somos afastados.
Daí nasce:
Apatia
Desalento
Desilusão
Frustação
Nas trevas,
imperava o sentimento
que nossa vontade e desejo
eram supremos. Consequentemente,
víamos todos os que se opunham esmagados.
No fulgor,
sentimento que o outro
tem vontades e mesmo assim
impulsiona-o, ajuda-o a regar.
Sentimento que a árvore que rego
teima em expandir os galhos e frutos
para o quintal do vizinho
e, ainda assim, continuar regando.
A emancipação vem, quando:
somos livres para caminhar
sem a preocupação
de sermos ou não seguidos.
E tudo bem,
se o outro se inclina na direção oposta.
Muita água correu pelas pedras
e levou consigo muita sujeira.
O clarão voltou a brilhar
e nos mostrou
o que possuíamos:
sombras e substâncias
ambas semelhantes a fogos de artifícios
que só brilharam por um instante:
fugaz
efêmero
estrela cadente.
E se dissipou
nos deixando despidos e sozinhos.
O Único que ama
nos ensima a descobri-lo
através de suas dádivas.
E Ele nasce do que distribuímos
e não do que guardamos.
Parece estranho
mas o pássaro que melhor canta
não vive em casa dourada.
E sim, aquele que habita uma gaiola
com alimento saudável
água limpa e fresca
e, especialmente, de porta aberta.
JOSÉ AILTON SANTOS
*Uma singela homenagem a Krishnamurti e ao seu texto, Aos pés do Mestre.

Uma pérola, bravo poeta desbravador! 👏👏
ResponderExcluirParabéns parceiro, descreveu o caminho pelo qual todos nós ja passamos ou iremos passar.
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