sexta-feira, 7 de junho de 2019

INEVITÁVEL ENCONTRO


Conquistei amores,
conquistei inanidade,
conquistei notoriedade.

Comprei flores,
comprei corações,
comprei opiniões.

Adquirir admiração,
adquirir canto e altura,
adquirir encanto e cultura,
adquirir presunção.

Tenho tudo para estar satisfeito,
no silêncio, no escuro, não tem fim o vazio,
a conquista de mim mesmo, perpétuo desafio,
pois o espírito continua imperfeito.








José Ailton Santos - Licenciado em História pela Universidade Federal de Sergipe, Pós Graduado pela Faculdade Pio X em História do Brasil, Graduando do curso de Administração de Empresas pela UNIT, ex-professor efetivo da rede estadual de ensino do estado de Sergipe, funcionário efetivo do Banco do Estado de Sergipe com certificação pela ANBIMA, blogueiro, poeta de ocasião e portador da SPNDLR [Síndrome Patológica de Necessidade Diária de Leitura e Reflexão].

2 comentários:

  1. Em nós reside todas às estações.Escreva cada vez mais,pois o mundo de suas palavras pode se encaixar de forma perfeita em outro mundo.

    Amo você irmão!

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  2. Em contraponto ao poema "Nada a pagar nem a receber", no qual há uma possível negação ou fuga do que se vivenciou, "Inevitável encontro" demonstra um momento reflexivo do eu-lírico acerca de sua trajetória, um olhar para o presente-passado-futuro: o que foi conquistado espontaneamente ou não e seus desdobramentos na relação com o mundo. Na última estrofe, há uma reflexão franca de que mesmo tendo tudo para ser pleno...há um vazio permanente como na obra "A parte que falta" de Shel Silverstein. Além de revelar a busca constante pelo autoconhecimento, por um propósito, pois somos, como disse Karnal, seres "perfectíveis", isto é, buscamos uma perfeição, uma plenitude que sempre estará em construção.

    Parabéns por sua competência leitora e escritora! Aprendo sempre com o que compartilha. Gratidão!

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