Olá, amigos!
Sentiram minha ausência? Correção, ausência, não de mim, dos meus textos? Penso que não, deve haver coisas mais interessantes para se fazer, ao invés, de ler sobre coisas que não se comunicam com o cotidiano das pessoas. Afinal de contas, não escrevo sobre novelas [não que tenha algo contra], não escrevo sobre moda, sexo, curiosidades sobre personalidades globais ou sobre...
Analisando melhor, penso que meu vizinho está correto. Desculpe, não apresentei meu vizinho a vocês não é mesmo? Ele trabalha desde pequeno, pois perdeu o pai ainda jovem e tinha que ajudar nas despesas da casa. Logo, teve que abandonar os estudos ainda no colegial e dessa época até o presente, trabalha em supermercados. Ele já fez de um tudo. Bem, agora, que já o conhecem melhor, vamos aos fatos. Ontem, recebi sua visita [coisa rara, pois dorme cedo para acordar mais cedo ainda, e, como só folga aos domingos, durante a semana é raro vê-lo] e entre tantos assuntos, por último, falamos sobre a consciência das pessoas, quando o assunto é política. Neste instante, igual criança quando aprende uma palavra nova, adiantei-me para falar sobre o blog que mantenho e dos textos que costumo postar. Ele, então, me falou, que de nada adiantava falar do blog para ele, pois não tem tempo nem interesse para essas coisas. E, me disse mais, sabe a quanto tempo não leio sequer um jornal? Antes, que eu respondesse algo, ele atalhou e disse: - você já parou para pensar sobre o tempo que o cidadão comum gasta só para se deslocar de casa para o trabalho e do trabalho para casa? Some a esse tempo, o tempo que se gasta no trabalho. Com que tempo [e dinheiro] lê jornais, quiçá, blogs?
Enquanto ele continuava falando, pensamentos me vieram a mente. Pensei no valor do salário mínimo, nas despesas fixas para manter um lar, no cotidiano vivido por 99% da população brasileira. Uma rotina que mais lembra uma ccorrida em círculo, onde, por mais que se corra não sairemos do lugar. Como mudar essa realidade com textos de um blog? A indagação se torna mais aguda, quando se leva em conta o número de leitores [que não é lá grande coisa] deste mesmo blog, que mal sabem o significado da palavra que intitula o mesmo.
Despertei dos meus pensamentos, quando meu viznho levantou para se despedir, pois segundo ele, tinha que acordar cedo para trabahar. Afinal, casuisticamente, era desse trabalho, que por mais que seja enfadonho, fadigante, frustante e os adjetivos seguem. Era desse trabalho, que conseguia a renda para alimentar a família, para a escola particular dos filhos, a prestação do apartamento e do carro, e, do almoço do final de semana [ainda que seja uma vez a cada mês].
Fatalisticamente, fiquei o restante da noite a pensar na dura realidade em que vivemos e na pobre ilusão que alimento com este blog, estes textos e estes pensamentos. No entanto, como a insônia resolveu ser minha companheira, fui ver meu e-mail e me deparei com um texto reflexivo, enviado a mim por minha sobrinha Kaliny (14), que dizia o seguinte:
"Tio, lá vai...
Nos dias atuais, é indignante perceber a influência que certas"bobagens" podem ter para uma pessoa que se diz estar no seu juízo perfeito, programas de rádio, TV, entre vários outros meios. É curioso notar, que garotas de 16 a 25 anos deixam estudos, amigos e família de lado para aventurar-se numa tentativa horrenda de ser Top Model. Deixam sua própria vida em segunda opção, se transformam em flagelos humanos para conseguir entrar no padrão almejado, inclusive, abrem mão de viver como querem para viver como é pedido. E, é mais curioso ainda, a atenção que é dada para esse tipo de coisa, consideram um fato comum ou até uma boa profissão, sem levar em conta o quase atentado a vida dessas pessoas.
A sociedade está se tornando cada vez mais estúpida e pequena. Será que não podemos fazer nada para mudar essa situação? Nada além do falar? Refiro-me as atitudes, pequenas ações que podem fazer grande diferença. Por que não falar a uma criança que tem câncer, que ela é uma princesa? Que ela é bonita, mesmo não tendo cabelos lisos ou nenhum, mesmo não tendo o peso e altura "necessário" e não fazer ela se sentir diferente?
Mas, voltando ao assunto da menina das passarelas, sei que ela não está sendo obrigada a nada disso, que pode estar ganhando algo em troca, mas será que compensa? A sociedade tem sua influência e a sua culpa, as pessoas deveriam ser aceitas do jeito que são, até mesmo fora das passarelas, porque não deveríamos julgar os outros pelo que parecem ser. Deveríamos, na verdade, acabar com essa rotulação insignificante de seres e dá mais espaço a coisas realmente importantes. Deixar de viver um mundo tão artificial. Fazer com que as crianças cresçam felizes e satisfeitas, mesmo não tendo padrões iguais a maioria."
"Tio, lá vai...
Nos dias atuais, é indignante perceber a influência que certas"bobagens" podem ter para uma pessoa que se diz estar no seu juízo perfeito, programas de rádio, TV, entre vários outros meios. É curioso notar, que garotas de 16 a 25 anos deixam estudos, amigos e família de lado para aventurar-se numa tentativa horrenda de ser Top Model. Deixam sua própria vida em segunda opção, se transformam em flagelos humanos para conseguir entrar no padrão almejado, inclusive, abrem mão de viver como querem para viver como é pedido. E, é mais curioso ainda, a atenção que é dada para esse tipo de coisa, consideram um fato comum ou até uma boa profissão, sem levar em conta o quase atentado a vida dessas pessoas.
A sociedade está se tornando cada vez mais estúpida e pequena. Será que não podemos fazer nada para mudar essa situação? Nada além do falar? Refiro-me as atitudes, pequenas ações que podem fazer grande diferença. Por que não falar a uma criança que tem câncer, que ela é uma princesa? Que ela é bonita, mesmo não tendo cabelos lisos ou nenhum, mesmo não tendo o peso e altura "necessário" e não fazer ela se sentir diferente?
Mas, voltando ao assunto da menina das passarelas, sei que ela não está sendo obrigada a nada disso, que pode estar ganhando algo em troca, mas será que compensa? A sociedade tem sua influência e a sua culpa, as pessoas deveriam ser aceitas do jeito que são, até mesmo fora das passarelas, porque não deveríamos julgar os outros pelo que parecem ser. Deveríamos, na verdade, acabar com essa rotulação insignificante de seres e dá mais espaço a coisas realmente importantes. Deixar de viver um mundo tão artificial. Fazer com que as crianças cresçam felizes e satisfeitas, mesmo não tendo padrões iguais a maioria."
Por fim, diante dessas palavras, cheguei a uma conclusão, não conclusa, porém aceita por mim, ao menos por hora. Não escreverei mais sobre PROINVESTE, sobre a luta pelo poder entre aqueles que sempre o mantiveram. Todavia, continuarei fazendo poesia. E para não perder o hábito aí vai.
THOMÉ,
TÚ ES EU!
Se
o Paraíso for
religiosamente
nos céus.
-
Bendito sois os pássaros!
Se
o inferno for
supersticiosamente
abaixo da
superfície da terra.
-
Benditos sois, tudo que germina!
E,
se, céu e inferno, existem
concreta
religiosa
e supersticiosamente
fora
da Terra.
- Maldito
sois o homem!
E
vois, que não sois
nem
pássaro
nem
árvore
nem
nuvem
nem
terra
nem nada.
Melhor
que sejas semente.
Pois, é ali onde está contido a vida.
Daí,
não importa o ato
mas,
como este é
sentimentalmente
vivido.
- Atentai!
A
busca liberta,
quando
se sabe
enxergar
no escuro.
A
verdadeira luz
não
clareia nada
escurece
tudo.
A claridade
não
se estabelece
conceitualmente
entre
o claro-escuro
e não
alumia mais que um candeeiro
não
desfaz a escuridão
de
uma noite no campo
sem vaga-lumes
sem estrelas
sem amigos
sem namorada
sem sono.
A
luz
metaforicamente
é semelhante
ao pescador sensato
que
ao recolher a rede
escolhe
o peixe grande
e
liberta os menores.
- Atentai!
O
peixe grande
encontra-se
na penumbra
interior
de cada um.
Logo,
não
ores,
não
jejuem
não
deem esmolas.
Mas,
quando lhe derem
um pão dormido pra comer.
Coma
tudo
e
não diga nada.
- O
pão é vida
a
palavra é morte!
Todo
esforço
é desnecessário
e
inútil
quando
se intenta
a
paz na terra.
Se
queres ser:
um
preto velho,
um
apóstolo,
uma
criança,
um
selvagem.
Deves antes:
destruir o templo,
empunhar
espada
e
fazer guerra.
- Homem!
Não
mutile seu corpo
circuncidando-o.
A dor e a alegria
não pertencem
a alma.
“É preciso apagar a luz para crer”.
[José Ailton Santos]

Bom dia camarada, como é dignificante para este simples apreciador deste precoce, mas não menos exuberante espaço cultural, degustar e sentir o prazer de tão excelente leitura, como sempre, seguida de um tema provocante e de uma gravura digna de um historiador preocupado e zeloso com o que oferece a este tímido público, sua desenvoltura com as palavras é sem duvidas motivo de prazer tal qual as dos excelentes escritores. Tenham a certeza,surgiu mais um renitente historiador-poeta cedrense. Mas o que me deixou com lagrimas nos olhos, é saber que nem tudo esta perdido, por menor que possa parecer, alguns jovens, diga-se com 14 anos, dispõe de conteúdo e autonomia para construir um simples texto, mas com conteúdo robusto capaz de refletir sua visão a cerca deste tão complexo, divergente e sedutor mundo dos sonhos. Não poderia deixar de comentar as tímidas, mas iniciantes palavras da minha filha. Camarada, espero que continue a provocar nesta adolescente o gosto pelo embate, pela busca da melhor leitura, para quem sabe assim podermos nos orgulhar ainda mais de termos colaborado para a solidez do futuro da nossa família. Parabéns pela santíssima trindade: O vizinho, a sobrinha e o dedo de Thomé.
ResponderExcluirSou-lhe sempre grato pela sinceridade com que dialoga comigo. Agradeço na mesma medida pelas palavras de aprovação e incentivo. Santíssima Trindade! Puts. Rapaz não foi bem essa a intenção... rsrsrs. Esta tentado me desvendar? Vejo que você se mostra um exímio provocador. Quanto a mim, não me sinto tão robusto assim para me imiscuir nesta provocação. forte abraço, xeru e inté.
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ExcluirA Realidade é algo que devemos negar Sempre, já dizia Hermann Hesse. Revejo essa rebeldia criadora na sua sobrinha. E como ela, acredito que se nos encaminhamos com a intimidade, encontramos medidas para recriar a realidade. A semente deve ser plantada...
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirMeu amigo mais novo, se assim você me permite considerá-lo. Tanto sua crônica quanto sua poesia me fizeram sentir dentro de um barco no meio do oceano, turbulento sim, mas acessível a um banho profundo. O que mais me chamou a atenção, a ponto de inicialmente olhar com insensatez, foi o último verso da sua poesia “É preciso apagar a luz para crer”. Sempre vi a luz como uma necessidade máxima, apagá-la? Retornando a magia do pensamento! Apaguei a luz desse pensar, que foi interpretado como insensatez, encontrei no escuro uma outra forma de olhar. Usei os meus sentidos, foi preciso crer que eles seriam a minha luz para enxergar as minhas sombras. Assim, mais uma vez me desprendi dos meus conceitos para dar acesso ao desconhecido.
ResponderExcluirA leitura, não essa que estamos fadados a conviver, que oprime e aprisiona a nossa mente a pensar o pensamento do outro como pseudoverdade. Estou falando da leitura que, ao digeri-la nos faz conectar com todas as possibilidades de compreensão e amor ao mundo. Essa leitura eu encontrei aqui. Espero poder saborear sempre dos movimentos que o olhar desse escritor nos leva a pensar. Obrigada José Ailton por contribuir para nosso autoconhecimento.
Se o Paraíso for
ResponderExcluirreligiosamente
nos céus.
- Bendito sois os pássaros!
Se o inferno for
supersticiosamente
abaixo da superfície da terra.
- Benditos sois, tudo que germina!
E, se, céu e inferno, existem
concreta
religiosa
e supersticiosamente
fora da Terra.
- Maldito sois o homem!
De arrepiar, de todos os textos lidos no blog este em especial, em minha opinião, foi o segundo colocado ficando apenas atrás de Árvore Genealogica. Parabéns Ailton.