Permita-me insistir em
um debate repisado. Ontem ouvir de uma pessoa de reputação inquebrantável, que
o Brasil é uma democracia liberal. Encaracolei meus neurônios diante de tal
afirmativa. E, caso tivesse oportunidade de lhe perguntar algo, seria,
certamente, que fizesse uma melhor explanação do que entende e acredita ser uma
democracia liberal. Pois, quero não acreditar que esse troço, que envolve
palavras tão antagônicas como Democracia e Liberalismo sejam, sinteticamente, a
ação de “cada um vota em quem quiser de acordo com seus princípios e inteligência
e sem ter que dar satisfação a ninguém”.
Honestamente, se
pensarmos que num país onde 54 milhões de indivíduos – não posso nem chamar de
cidadão – vivem abaixo da linha da pobreza, ou seja, miséria total. E, sem falar
que estamos nos referindo a mais de um quarto da população brasileira. Diante
desse quadro, será que esses se encontram, verdadeiramente, em condições de
discernir qual candidato é melhor para o país, o estado ou o município? Talvez,
a pessoa de opinião inquebrantável desconheça o mundo da semiótica, dos
discursos, dos anúncios publicitários, da fome, da pobreza, da informação e
contra informação e, por fim, o mundo do poder e seus efeitos na hora de
escolher o melhor candidato.
Agora, pergunto a você leitor
deste blog – será que já ultrapassamos a meia dúzia - o que leva tantos homens
[também tem aumentado o número de mulheres] a consumirem cerveja e cigarro, no
Brasil e no mundo? Suponho que seja fruto, apenas, de uma decisão pessoal, sem ocorrência
de qualquer influencias externas. Será? Convido-o a viajar pelo mundo fascinante
da especulação. Vejamos, porque será que existem tantas campanhas publicitárias
de cervejas e sempre associadas à imagem da mulher “coisificada” como elemento
central? Seria por puro acaso ou será pelo elemento da sedução dos sexos?
Insistindo ainda mais
no exemplo, será mesmo que as pessoas consomem cerveja, simplesmente, por força
de uma escolha individual? Afinal, “não tem que dar satisfação a ninguém”,
então pergunto, por que será que as cervejarias e a indústria do tabaco investem – não se assustem com a palavra, é assim mesmo que os
investidores consideram, como um investimento - tanto em publicidade?
Desculpem o uso exaustivo desse
exemplo comparativo grosseiro, mas, por hora, foi o que me veio em mente. Pois
bem, voltemos à discussão inicial. Toda minha fala nesse diálogo, tal qual um
discurso político partidário, está carregado de intensões e significados – não foi
à toa que me esforcei tanto na exemplificação -, que, às vezes, ignoramos e sem
perceber reproduzimos inconscientemente. Diante desse fato, constatamos que precisamos
investigar melhor os fenômenos que envolvem os discursos, principalmente,
quando partem de alguém aparentemente confiável. Pois, somente procedendo
assim, poderemos extrair ou filtrar as ideias claras e as que se apresentam de
forma implícita ou subentendida.
Então, não podemos ser ingênuos ao
ponto de achar que certos problemas – na opinião da pessoa de reputação inquebrantável
- não são resolvidos, “porque simplesmente não há interesse em resolvê-los”.
Ora, interesses é o que não faltam, e são os mais variados possíveis. Agora, o
problema, a meu ver, é conciliar esses interesses e de quebra realizar o
pretendido. Afinal de contas, tudo, neste Brasil do Carnaval, do Futebol e dos
recessos judiciários e parlamentares, depende da correlação das forças em jogo
em cada momento histórico. E, quase sempre, o jogo é ganho nos minutos finais
da prorrogação e com a “ajuda” custeada do juiz.
Ainda dialogando com a pessoa de
opinião inquebrantável, quando este diz, “os governos do PT não têm nenhum
compromisso com o país e com a classe trabalhadora”. Percebam que o
direcionamento continua no campo da política nacional, logo, continuarei fazendo
uso do mundo fascinante da especulação, melhor seria imaginação. Acredito, a
partir do meu raciocino limitado, que Lula, Dilma e tantos outros denominados
como a nova esquerda brasileira, até tenham interesse em implantar o projeto
social defendido durante a campanha política. Todavia, a questão principal é
que a realização desse projeto entraria em choque direto, com os interesses econômicas
da classe hegemônica - para não usar o termo cansado da burguesia - nacional.
E, sem o apoio dessa classe, ainda que condicionado, o governo do PT se tornaria
engessado.
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Bom dia camarada, como sempre nos é oferecido mais um manar. O texto é de uma coerência e precisão que só pode ser, expressado por alguém que trilha ou trilhou caminhos tão escorregadios, alguém que compreender como se joga este jogo, desta forma, é oportuno instigar os leitores deste blog a refletir sobre sua ação enquanto ser político e agente transformador.
ResponderExcluirA sociedade precisa tremular a bandeira de uma cruzada, que ostente o brasão da inclusão como símbolo maior da luta, chega de ser benevolente é preciso substituir as doses homeopáticas de Adam Smith pelo sonho profético da transvaloação dos valores Nietzschiano. Se for preciso romper estes grilhões pela força não será novidade e de acordo com o filosofo: "de tempos em tempos uma guerra se faz necessário" ou será melhor conviver com a ilusão de que: a compaixão, o amor ao próximo, a caridade e a fé; irá agir resolvendo estas discrepâncias. Penso que não, apenas favorece a estes hipócritas que compreendendo e conhecendo esta fraqueza manipulam sempre o jogo a seu favor.
Reconhecer estes reais acontecimentos, inclui compreender o surgimento da preocupação quanto aos interesses velados destes que se encontram beneficiados incumbidos de direcionar os rumos e a efetividade das políticas, a favor desta plêiade dissimulada que é incapaz de pensar no Brasil como um país, de fato democrático. Assim, continuo crente que levantar-se contra esta imposição, contra estes discursos de autoridades, contra estes modernos Avatares e assumir a condição de transgressor, ou seja, evoluir culturalmente exigindo um lugar ao sol consiste em uma excelente alternativa, algo que se inicia com a elaboração de textos provocativos como algum que presencio neste espaço de inclusão.