quinta-feira, 2 de abril de 2020

O TEXTO



Aproximações:
acontece a relação,
outros e outros encontros,
várias semente são lançadas,
gametas se fundem aos pares
num frenesi de mitoses.

Os femininos nutrem ,
os masculinos se movem.

Cresço,
aumento,
multiplico-me.

Estado de ebulição,
[formas e contornos]
ganho definições e aparências.

Eis, que, em dado momento,
surgem:
as dores
as contrações,
pulsação forte.

[as dores aumentam]

E se a parteira não vem,
dou à luz ali mesmo,
naquele instante,
num esforço desmedido,
num parto sanguinolento.

Ganho forma,
adquiro vida,
personalidade e concretude.

O leitor me embala
e canta para mim,
doces canções de ninar.





José Ailton Santos - Licenciado em História pela Universidade Federal de Sergipe [UFS], Pós-graduado pela faculdade Pio X em História do Brasil, graduando do curso de Administração de Empresas pela Universidade Tiradentes [UNIT], ex-professor efetivo da rede estadual de ensino do estado de Sergipe, funcionário efetivo do Banco do Estado de Sergipe com certificação pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais [ANBIMA], blogueiro, poeta de ocasião e portador da SPNDLR [Síndrome Patológica de Necessidade Diária de Leitura e Reflexão].


2 comentários:

  1. Pelas leituras da vida encontrei muitos poemas, textos e escritos simplesmente incríveis. Tão vivos, tão reais. Sem pele, encarne viva, jorrando sangue.
    Sempre me perguntei como acontecia, como ocorria, como intercorria aquele processo. De onde vem tanta inspiração? Como se encontrar palavras certas para se traduzir sentimentos? E mais ainda, como colocá-las em harmoniosa conversa com o leitor? Como arrancar sentimentos, emoções e reflexões? Não deve ser fácil.E agora lendo "O TEXTO" compreendo que não é. Um parto nunca é. Entendo agora tanta realidade, tanta vivacidade. Entendo a falta de pele, a carne, o sangue. Porque quem dá a luz fica em carne viva, sangra. No entanto ao ver o que saiu de si, esquece todo o sofrimento, pois sua cria te faz esquecer tudo. E todo processo (re)começa.

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  2. Escrever é Dom.Escrever também se aprimora.Escrever é empatia.Escrever constrói laços.Escrever são pontes.Escrever é arte.Escrever é pura dualidade,emissor e receptor.Escrever é epifania.Um escritor é a composicão de sei com nada sei.Um escritor é um visionário.Um escritor é a mistura de palavras,rimas,estrofes,cordéis,eu lírico,sintaxe,conexão e desconexão.Escritor é humor,sentimentos,racionalidades.Escritor é português letrado e não letrado.Escritor é um diploma ou apenas uma folha de papel.Escritor é um livro ou apenas rabiscos.Escritor é o protagonista na história e estória que se conta.Escritor também é coadjuvante.Escritor é celebridade ou anonimato.Um escritor é a continuidade de sua criatura.Escritor é côncavo e convexo.Escritor é um carrossel de suas emoções ou de outrem.Escritor é estação.Escritor e narrativa dissertativa argumentativa.Escritor é silêncios que falam.Escritor é barulho,é ventania,é cultura,é regionalismo,é intelectualidade.Escritor é dia,é tarde e noite.Escritor é escritor sem hora marcada.Escritor é oceano,matéria-prima,frenesi,sutilezas e faca cortante.Escritor é arte imitando a vida.Escritor é aquarela.Escritor é aquele que tece linhas invisíveis.Escritor é aquele que unifica os ingredientes para gerar uma comida.Escritor é aquele que se equilibra entre razões e emoções.Escritor é um contrato social.Escritor é aquele que nasce e morre em cada texto escrito.Escritor é um atrevido "utopico".Escritor não é Jesus Cristo mas se faz e é imortal.Escritor é um eu em outro eu.Escritor é...

    Aracaju/Se 08/04/20
    ADRIANA SANTOS

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